União dos brasileiros, Emerald Book e arte em obras subterrâneas marcam o World Tunnel Congress 2019 Destaque

O World Tunnel Congress 2019 (WTC 2019) aconteceu durante os dias 3 e 9 de maio, na cidade italiana de Nápoles. O evento, organizado pela ITA (Associação Internacional de Túneis e do Espaço Subterrâneo) reuniu 2.700, entre participantes do congresso e da exposição técnica, e uma delegação brasileira composta por 37 integrantes. Com o tema Arqueologia, Arquitetura e Arte, o WTC 2019 chamou a atenção, entre outras coisas, por dar destaque à arte nas obras subterrâneas, como acontece em estações de metrô de Nápoles, onde são encontradas peças e até um museu arqueológico. “Foi algo que me impressionou”, conta o engenheiro Max Barbosa, que fez parte da comitiva brasileira. “É muito interessante ver este outro viés da escavação em obras subterrâneas”.

“O tema do congresso valoriza a ideia da qualidade estética das obras subterrâneas e de que elas preservam o patrimônio arqueológico. A obra subterrânea pode revelar e preservar esse patrimônio”, ressalta Tarcísio Barreto Celestino, ex-presidente da ITA (encerrou seu mandato no WTC 2019) e do CBT.

O evento surpreendeu também no que diz respeito às discussões técnicas. “A comissão científica trabalhou duro e conseguiu entregar um congresso com um nível técnico acima das expectativas”, afirma André Assis, ex-presidente da ITA e do CBT. Assis lembra ainda de um workshop organizado pela ITA durante o Congresso que discutiu risco em túneis. “Foi um trabalho realizado conjuntamente por dois Working Groups que abordou o risco sob diversas perspectivas – do dono da obra, do projetista, do executor etc. Foi muito interessante”.

Emerald Book – práticas contratuais para obras subterrâneas

Durante o WTC 2019 foi lançado o Emerald Book – uma parceria entre a ITA e a Fidic – Federação Internacional de Engenheiros Consultores. O livro estabelece práticas contratuais para obras subterrâneas. Embora não tenha força de lei, as diretrizes da Fidic já são muito utilizadas no mundo todo em obras de outros tipos. Chegou agora a vez das obras subterrâneas.

“O Emerald Book coroa um longo trabalho”, ressalta Celestino. “Não tenho absolutamente nenhuma dúvida do grande impacto positivo que este livro terá no mundo dos contratos”.

“A publicação é uma vitória muito grande do Tarcísio, que sempre brigou pelo tema e agora encerra o seu mandato na ITA com chave de ouro”, destaca Assis. “Só este livro já valeria a ida ao WTC 2019”.

Networking

A troca de experiências entre profissionais de diferentes lugares do mundo é sempre um dos pontos altos dos WTCs. “Conviver com os maiores especialistas em túneis é uma oportunidade ímpar”, ressalta Max Barbosa. “Conhecer e poder conversar com seus ídolos, pessoas que escreveram livros nos quais baseamos o nosso trabalho, nosso estudo. Isso é muito gratificante!”.

Essa troca acontece também entre os jovens, com as reuniões do ITA Young Members. “Tivemos vários encontros, conheci jovens tuneleiros de diversos países e pude conhecer como eles trabalham, ter ideias para trazer para o nosso grupo, no Brasil”, diz Alex La Flor. “Foi uma experiência muito bacana!”.

Os brasileiros

O engenheiro Flávio Henrique Lobato, membro do CBT, foi o responsável por coordenar a delegação brasileira para o WTC 2019. Coube a ele incentivar a participação de todos e integrar o grupo que iria à Itália.

Para André Assis, “o trabalho do Flávio Henrique foi muito importante. Os brasileiros estavam muito mais entrosados do que em outros congressos. E isso é tudo fruto do trabalho dele”.

“Nos congressos, eu sempre sentia falta de conversar mais, conhecer mais os brasileiros”, lembra La Flor. “Neste WTC foi diferente. Trocamos mensagens e conversamos desde antes de ir para Nápoles, por meio de grupos de mensagens e até um encontro organizado pelo Flávio Henrique. Quando chegamos, era como se todos já se conhecessem. Foi muito legal!”.

“O Flávio é fantástico nesse papel de motivador e agregador. Ele mantinha todos motivados, sempre compartilhando as notícias do congresso e dos brasileiros. Foi um grupo muito unido”, diz Max Barbosa.

“Tivemos um número expressivo de participantes, o que demonstra a tendência crescente da indústria de construções subterrâneas”, afirma Tarcísio Celestino. “E recebi feedbacks positivos sobre o congresso, principalmente em relação ao programa científico. Acredito que tenha sido um bom Congresso, com contribuições para todos”.