Para formar estudantes de engenharia capazes de projetar e construir túneis e obras subterrâneas, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul irá incluir disciplinas sobre a área nas grades curriculares dos cursos de engenharia civil e engenharia de minas. Quem anuncia a novidade é o professor André Zingano, associado ao Comitê Brasileiro de Túneis e docente do curso de Engenharia de Minas da Universidade.

Está aberto para contribuições, na fase de Consulta Nacional, o projeto de revisão da Norma ABNT NBR 15.661 - Proteção Contra Incêndio em Túneis Rodoviários e Urbanos. A principal alteração desta revisão é a separação dos itens rodovias / ferrovias, restando nesta Norma apenas itens relacionados a túneis rodoviários e urbanos. 

Nos dias 2 e 3 de agosto o CBT realizou, em São Paulo, o curso Aspectos Práticos da Construção de Túneis Convencionais (NATM) e Mecanizados (TBM). Com a participação de 70 pessoas, o evento teve o objetivo de mostrar uma abordagem global de uma grande obra de túnel. “Foi diferente do que costumamos ter no Comitê”, ressalta Cássio Moura, secretário geral da entidade. “O curso foi ministrado do ponto de vista de executores com larga experiência, que passaram por todos os pontos da obra contando casos vividos por eles. Júlio é um dos profissionais mais experientes em escavação mecanizada no Brasil. Sérgio, por sua vez, tem uma experiência em túneis rodoviários em solo e rocha que é rara no Brasil, além da experiência com Metrô”.

O curso agradou bastante os participantes, que já esperam pelos próximos. “Achei o curso excelente e já estou ansiosa pelo segundo módulo”, declara a engenheira Andrea Fernades Ern. “Tinha muito assunto interessante e os palestrantes têm muita experiência para compartilhar. Acabou sendo pouco tempo”.

Mesmo para aqueles que já têm experiência, o curso acrescentou. “Me inscrevi interessado em NATM, porque trabalho com TBM e, portanto, já é um assunto mais familiar para mim”, conta o engenheiro Fabricio Paschoalin da Silva. “Aprendi muito sobre NATM, conforme minha expectativa, mas o curso foi além disso. Mesmo já tendo experiência com TBM, foi muito interessante ver o lado do executor. Foi uma ótima oportunidade!”.

  

O conteúdo

“Procuramos passar para os participantes um pouco de todo o conhecimento que adquirimos ao longo de tantos anos de profissão”, conta o engenheiro Sergio Luiz Martins, um dos palestrantes do curso. “Foi uma oportunidade muito interessante poder dividir nossas experiências com um público tão diversificado”, completa Júlio Claudio Di Dio Pierri, também responsável por ministrar o curso. 

Durante o curso, foram abordados os mais diversos aspectos de uma grande obra de túneis, alguns raramente citados, como aspectos jurídicos, ambientais, as licenças necessárias para a realização da obra, implantação do canteiro de obras e a prática de obra tanto em túneis em NATM como executados com TBM. A abordagem foi global, do início do contrato à entrega da obra. 

“Nosso objetivo era mostrar que não é só fazer o túnel, mas integrar toda uma cidade. É um conjunto de coisas que levam à execução de um túnel da melhor qualidade, porém com o menor impacto possível tanto para o meio ambiente quanto para a população”, ressalta Júlio Pierri.

  

O público

Dentre os 70 participantes do curso, havia profissionais experientes e também aqueles que estão começando a carreira agora. “Fiquei contente ao ver o número de jovens engenheiros presentes”, destaca Pierri. “Era um público muito interessado, que fez perguntas e interagiu bastante ao longo dos dois dias”, lembra o engenheiro. 

 

Os próximos passos

A satisfação do público e dos palestrantes pode gerar frutos para a comunidade técnica. “Foi uma experiência muito gratificante”, afirma Júlio Claudio Di Dio Pierri. “Tanto é assim que já estamos pensando em um segundo módulo para o curso”, completa Sérgio Martins. 

 

As atividades do CBT

“Essa é uma prática constante do CBT: promover curso e a disseminação do conhecimento. E o Comitê é um agente fundamental nesse processo, por ser isento – não tem nenhum outro interesse a não ser realmente difundir o conhecimento”, diz Martins.  

Para Pierri, “a iniciativa do CBT de fazer um curso nesses moldes foi excelente. Agora ficamos no aguardo de outros cursos assim”.

 

Confira aqui o álbum de fotos do evento.

Acidentes em túneis. Este é o tema da palestra online ministrada por Roberto Kochen, presidente e diretor técnico da Geocompany e associado CBT, que acontecerá no dia 30 de agosto, das 16h30 às 18h30. Kochen vai abordar os riscos envolvidos em obras subterrâneas e os requisitos para um projeto seguro.

 

A apresentação contará ainda com estudos de casos de acidentes de túneis, métodos de análise de estabilidade de escavações subterrâneas e procedimentos de um projeto – desde a construção até o monitoramento para evitar acidentes, prejuízos e perdas humanas.

 

A palestra tem o custo de R$ 49,90. As inscrições podem ser feitas em https://goo.gl/CNTY6e. Um associado CBT terá inscrição gratuita. Os interessados devem enviar o nome completo, e-mail, endereço completo e telefone para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.. O sorteio será realizado no dia 27 de agosto e o vencedor será comunicado no mesmo dia.

 

Imagem: sezer66/iStock.com

No dia 18 de julho, cerca de 65 pessoas participaram do evento que abordou "Concreto Projetado: compatibilidade cimento/acelerador, microestrutura e propriedades mecânicas" no Instituto de Engenharia. Idealizado pelo grupo de jovens tuneleiros do CBT (CBT Young Members) com apoio do IE, o evento contou com as palestras do engenheiro e professor Antonio Domingues de Figueiredo e do químico Renan Picolo. “A abordagem desse tema é importante principalmente porque é algo pouco estudado durante a graduação em engenharia civil”, comenta o vice-presidente do CBTYM, Alex Nowak La Flor. “Neste sentido, as palestras foram muito esclarecedoras”.

As palestras

O primeiro convidado a palestrar foi Antonio Figueiredo. O professor da USP abordou a avaliação de compatibilidade de cimento aditivo. “É fundamental que o concreto projetado para revestimento de túneis tenha elevada resistência nas primeiras idades”, explicou Figueiredo. “Isso se obtém com o uso de aditivos aceleradores. Há vários tipos de aditivos aceleradores, no entanto, a compatibilidade deles com o cimento não é um sistema fácil de analisar”. 

Para embasar a ideia, Figueiredo expôs dois métodos. “O primeiro enfoque é o que eu chamo de antigo, aquilo que a academia começou a desenvolver há muitos anos, mas que, infelizmente, ainda não é prática do mercado utilizar. O outro é o que temos de visão de futuro, que foi originado do trabalho do Renan”.

Em seguida, foi a vez do químico e doutor em engenharia civil, Renan Picolo, abordar a aplicação do concreto projetado especificamente para revestimento de túneis e a estabilização de escavação em maciços. Na foto à esquerda, da esquerda para a direita, os palestrantes Renan Picolo e Antonio Figueiredo, Alex Nowak La Flor e Fernando Abreu, vice-presidente e presidente do CBT. 

Picolo também falou sobre como todos os processos químicos e físicos que envolvem a aplicação influenciam a evolução de resistência mecânica do revestimento aplicado. 

“Existe uma grande falta de conhecimento nessa área”, esclareceu. “A interface entre química e engenharia civil não é muito fácil de se estabelecer. Então é bastante importante que se tenha um conhecimento inicial para evitar desperdício na hora da aplicação do concreto e para aumentar a segurança da obra. Toda a questão inicial da avaliação de compatibilidade entre materiais interfere na durabilidade total do revestimento. Se soubermos quimicamente o que acontece, conseguimos estabilizar o processo desde a inicialização até a vida útil total do elemento”.

De acordo com Antonio Figueiredo, “o objetivo das palestras foi mostrar que temos hoje uma capacitação técnico-científica muito mais robusta, além afirmar que é possível a transferência dessa tecnologia para o mercado de forma a conseguir a otimização das práticas atuais – ou seja, fazer com que o mercado evite trabalhar com ‘caixas pretas’, com dosagens pré-estabelecidas, para que o produto tenha uma maior garantia e também que os custos da obra sejam reduzidos”, comentou o professor Figueiredo.

Público jovem

Para Renan Picolo, investir na educação de jovens engenheiros é o que garante que as boas práticas da engenharia sejam de fato aplicadas. “Como somos mais novos, também estamos mais abertos a escutar e receber informações. É importante ajudar estudantes que estão começando nessa área, os futuros profissionais, para estabelecer as melhores práticas, ensinar o que é mais adequado para seguir em frente”.

Figueiredo também concorda que disseminar conhecimento a jovens engenheiros é a aposta certa para garantir um setor mais bem desenvolvido. “É fantástico falar com os engenheiros mais jovens. É um público mais aberto às inovações tecnológicas. Sempre frisamos que há ainda muito a pesquisar e a desenvolver e o jovem tem afinidade com essa ideia. É o que me anima, o que incentiva a minha carreira como professor”. 

Neste sentido, de acordo com Alex Nowak, o CBT Young Members está cumprindo com seu objetivo. “A missão do Young Members é justamente essa: trazer e discutir temas de relevância para agregar bons conhecimentos à parcela mais jovem da comunidade técnica”. 

Acesse aqui a galeria de fotos do evento.

O grupo de jovens tuneleiros (Young Members) surgiu para eliminar, ou pelo menos diminuir, a lacuna de conhecimento que existe entre os engenheiros recém-formados e os profissionais experientes do mercado de túneis. “O objetivo do grupo é unir as gerações e facilitar a troca de conhecimento técnico, garantindo o progresso da Engenharia Tuneleira”, afirma Marlísio Cecílio, ex-presidente do CBT Young Members. “Infelizmente a nossa profissão não se aprende na faculdade. E mesmo a especialização não é suficiente. O conhecimento mais profundo é adquirido no dia a dia de trabalho, passado de profissional para profissional”.

Grupos de jovens tuneleiros já existiam na Austrália e na Inglaterra, mas não eram oficialmente reconhecidos pela ITA – International Tunnelling and Underground Space Association. Durante o World Tunnel Congress 2014, realizado no Brasil, a entidade oficializou a criação do Young Members como um dos grupos de trabalho da ITA, legitimando então os grupos já existentes em algumas member nations. Neste momento foi criado o Grupo de Jovens Tuneleiros no Brasil, o CBT Young Members, que já vinha sendo pensado desde o congresso anterior, no WTC 2013 de Genebra.

O primeiro desafio do grupo foi a conquista de membros. A ideia, então, foi dar início às atividades do CBT Young Members com palestras ministradas por jovens tuneleiros – que não fossem, no entanto, direcionadas apenas aos jovens ou recém-formados, com temas muito básicos. “Eram palestras ministradas por jovens, mas com temas relevantes para toda a comunidade”, explica o ex-presidente. “O tema sempre envolvia questões atuais da Engenharia Tuneleira, conteúdos relevantes que acrescentassem algo tanto para os jovens quanto para os mais experientes. Uma palestra de alto nível como as que sempre foram organizadas pelo CBT, a única diferença era que a organização e o palestrante eram jovens”.

Com auditórios sempre lotados, o Young Members começou gradativamente a conquistar novos membros, mas ainda estava bastante limitado a São Paulo.

Surgiu assim outra inciativa importante. O então presidente do Young Members foi a universidades da Região Sul do país para ministrar palestras sobre túneis para alunos dos cursos de graduação. “Como é um assunto muito pouco abordado durante a graduação em Engenharia Civil, fui falar aos jovens o que são túneis, quais as diferentes metodologias construtivas empregadas, entre outros assuntos que despertassem interesse”, conta Marlísio.

A ideia surgiu porque, quando ainda era estudante de graduação, foi uma palestra como esta que despertou o interesse de Marlísio para as obras subterrâneas. “Eu não sabia nada de túneis e o Engenheiro Leonardo Redaelli, grande tuneleiro já falecido, ministrou uma palestra sobre o assunto na faculdade onde eu estudava. Imediatamente pensei ‘é com isso que eu quero trabalhar’, e foi aí que tudo começou”, lembra.

A série de palestras na Região Sul surtiu efeitos positivos e o Young Members passou a ter força além do eixo São Paulo – Rio de Janeiro. Em um desses encontros, Marlísio conheceu Alex Nowak La Flor, hoje vice-presidente do CBT Young Members. “Vi em Alex o mesmo entusiasmo em relação aos túneis que eu tinha quando era estudante. E hoje ele está tocando o CBTYM junto com o Fernando Abreu, presidente do grupo”.

O grupo também passou a organizar visitas técnicas a obras de túneis, além de promover sorteios de livros, inscrições em eventos e outros brindes.

“Uma grande vitória do grupo foi conseguir uma sessão dedicada exclusivamente ao Young Members no 4º CBT – Congresso Brasileiro de Túneis, realizado em São Paulo em 2017”, ressalta Marlísio Cecílio. “A sessão era aberta a todo o público do evento, claro. Mas as apresentações foram feitas apenas por jovens. E a comunidade marcou presença, interessada em conhecer a produção dos jovens tuneleiros”.

O Prêmio Figueiredo Ferraz foi outra conquista do grupo, juntamente com o CBT. O objetivo é valorizar e destacar o melhor trabalho de iniciação científica ou de conclusão de curso. “É também uma forma de estimular os estudantes a optar pelo tema de escavações subterrâneas para o TCC e, assim, atraí-los para nosso setor”, destaca o ex-presidente do grupo. Confira aqui o regulamento do Prêmio

A importância dos eventos e grupos técnicos

Na palestra que teve durante a graduação, Marlísio ouviu sobre o 1º Congresso Brasileiro de Túneis, que aconteceria em São Paulo em 2004. “Embora não tivesse nenhuma publicação, participei do evento apenas como ouvinte”, lembra Cecílio. “Ali comecei a ter contato com a comunidade tuneleira. Passei a conhecer profissionais respeitados da área. Lembro-me muito bem de ter conhecido o Akira Koshima, ex-presidente do CBT e então presidente do Congresso, e o Hugo Rocha, também ex-presidente do CBT que, na ocasião, apresentou diversos trabalhos sobre a Linha 4 do Metrô de São Paulo. Aquele congresso foi demais! Uma oportunidade única de networking.”

Tendo em vista a importância daquele evento – e que resultou na participação em tantos outros – Marlísio dá uma dica àqueles que têm interesse na área: “Participem de todos os eventos, mesmo que não tenham um artigo para apresentar. Participem como ouvintes. Mas, sempre que possível, apresentem suas ideias, seus trabalhos. Assim, naturalmente será notado pela comunidade. A dedicação, claro, é fundamental. Mas é preciso também estar presente, fazer contatos. Nossa área é restrita e conhecer a comunidade é importantíssimo. Por isso a relevância de fazer parte de grupos como o Young Members, o CBT e a ABMS”.

Para Marlísio, a nova diretoria do Grupo de Jovens Tuneleiros tem uma árdua tarefa pela frente: “Estamos enfrentando um momento difícil na Engenharia brasileira. Isso influencia também a participação da comunidade nos eventos. Mas é agora que precisamos mais da atuação de grupos como o CBTYM. Temos que unir forças para enfrentar a crise!”.

Marlísio Cecílio

Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina, Marlísio obteve seu Mestrado em Túneis pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Ainda durante o Mestrado, abriu mão da bolsa de estudos que tinha para trabalhar na Figueiredo Ferraz. “Meu primeiro tutor foi o Engenheiro Pedro França, com quem aprendi muito”, lembra.

Em seguida, foi para a Bureau de Projetos, empresa em que atua até hoje. “Ali tive o meu segundo tutor, Arsenio Negro Jr, com quem ainda aprendo diariamente”.

Desde o início de sua carreira profissional, Marlísio produz artigos para congressos nacionais e internacionais e participa dos eventos. Essa participação ativa o levou a ser convidado para a criação e presidência do CBT Young Members e para integrar a Comissão Organizadora do WTC 2014.

Em 2017, participou da organização do 4º Congresso Brasileiro de Túneis, que ocorreu conjuntamente com o 9th International Symposium on Geothecnical Aspects of Underground Construction in Soft Ground, no qual atuou como vice-presidente do Simpósio e Comitê Científico.

 

Sérgio Fontoura é o segundo entrevistado da série de reportagens "Túneis e Estruturas Subterrâneas – o pensamento e a pesquisa das universidades brasileiras". Professor associado da PUC-Rio, ex-presidente do CBT (Comitê Brasileiro de Túneis) e do CBMR (Comitê Brasileiro de Mecânica das Rochas) da ABMS, Fontoura dá sua opinião sobre o ensino de engenharia de túneis no Brasil e fala sobre a cultura tuneleira no país, além de comentar algumas inovações envolvendo o espaço subterrâneo. Leia a seguir a íntegra da entrevista, elaborada pela equipe da Strada Comunicação sob orientação da Diretoria do CBT.

Com longa experiência em mecânica das rochas, Sérgio Fontoura trata, na academia, de soluções para problemas de engenharia. Aí se encaixam, entre outras coisas, os túneis e as escavações subterrâneas. Para o professor, o ensino de engenharia de túneis no Brasil é de altíssima qualidade. 

Prova disso é que o país já elegeu André Assis e Tarcísio B. Celestino, renomados acadêmicos brasileiros, como presidentes da ITA – International Tunnelling and Underground Space Association. “Se o conhecimento que detemos sobre túneis não fosse reconhecido internacionalmente, o Brasil seria um mero figurante na cena internacional. E o que acontece hoje é que estamos com o papel principal, com Tarcísio na presidência da Associação Internacional”.

“André Assis e Tarcísio Celestino são nomes respeitados no mundo inteiro quando se fala em túneis”, destaca Fontoura. “E eles são professores, orientam teses, participam de discussões. Ou seja, o conhecimento está sendo transferido. O que acontece, no entanto, é que, ao chegar ao mercado, outras forças aparecem”.

A cultura de túneis no Brasil

“Na década de 1980, e isso antecede até a criação do Comitê Brasileiro de Túneis, a cultura de túneis no Brasil era muito forte. Depois disso, a falta de investimentos em infraestrutura desacelerou esse processo e a grande maioria dos profissionais que trabalhavam com túneis tiveram de seguir para outras áreas”, lembra Sérgio Fontoura.

Hoje, a falta de obras subterrâneas no Brasil está muito relacionada ao poder público, à falta de investimentos e ao quase monopólio de algumas grandes empresas no setor da engenharia civil. 

“Essas empresas concentraram todas as grandes obras no país e elas ditaram as regras de sempre trabalhar na superfície”, afirma o professor da PUC-Rio. “Especialmente nos últimos anos, o que se viu é que estávamos – e ainda estamos – num processo absolutamente viciado (e corrupto!) envolvendo as grandes empreiteiras e o poder público”.

“Por conta de tudo isso, o custo de uma obra no Brasil é muito superior ao custo da mesma obra, com a mesma tecnologia, feita no exterior”, destaca. “Isso também acaba desestimulando a cultura de túneis”.

Novos desafios tecnológicos

Um dos grandes desafios da indústria tuneleira, atualmente, é na área de escavações subterrâneas profundas, onde há alto risco de rupturas com liberação de energia. E importantes inovações vêm acontecendo.

“Esse tipo de problema exige um desenvolvimento de novos sistemas de estabilização, mais flexíveis para acomodar o movimento das rochas sem permitir o desmoronamento”, explica Fontoura. 

“O que existe de bastante inovador nessa área é exatamente o desenvolvimento e o uso desses sistemas flexíveis e o monitoramento das vibrações e da emissão de energia através do monitoramento microssísmico, que são os sinais gerados durante o processo de ruptura das rochas. Desta forma, é possível identificar o nível e a localização da ruptura, evitando acidentes”.

Comitê Brasileiro de Túneis

Para Sérgio Fontoura, “o CBT assumiu um papel de destaque no cenário tuneleiro internacional e hoje tem uma posição sólida entre as associações de túneis”. Para ele, o Comitê vem desempenhando um papel importantíssimo ao difundir o conhecimento na área, divulgar os túneis não apenas para a comunidade técnica, mas para a sociedade como um todo.

“O Comitê conta com um grupo de jovens – o CBT Young Members, que está incentivando a garotada, criando cursos, eventos, aumentando a interação com a sociedade. Isso tudo é extremamente importante”.

O ex-presidente do CBT acredita que o próximo e importante passo do Comitê deve estar presente em discussões junto ao poder público no sentido de fortalecer as iniciativas, declarar a capacitação do país na área de túneis. “É preciso trabalhar na formatação de algumas diretrizes, de políticas públicas, se envolver em discussões contratuais”, ressalta Fontoura. “Acredito muito na força do CBT para contribuir nessa discussão e, aos poucos, implantar novamente a cultura dos túneis no Brasil”.

 

O Comitê Brasileiro de Túneis tem participado das reuniões do Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio (CB-24), no grupo CE-24:102.003 - Proteção Contra Incêndio em Túneis, junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

No momento, está sendo realizada a revisão da norma técnica referente à proteção contra incêndios em túneis, a NBR 15.661/2012. O objetivo é ajustar a norma para aplicação exclusiva em túneis rodoviários. Já para o sistema metro-ferroviário, a ideia é que haja uma normativa específica. Posteriormente, pretende-se discutir a atualização da NBR 15.981, que regulamenta os sistemas de sinalização e de comunicação de emergência em túneis.

A reunião para a revisão da NBR 15.661/2012 acontece mensalmente na sede do Comando do Corpo de Bombeiros localizado na Praça Clóvis Beviláquia, número 421 – Centro de São Paulo, próximo à Praça da Sé, sempre às 9h. As próximas reuniões já têm datas marcadas: 9 de agosto, 13 de setembro, 4 de outubro, 8 de novembro e 6 de dezembro.

Aqueles que têm interesse em colaborar com a revisão mas não possuem disponibilidade de comparecer aos encontros mensais, podem enviar as sugestões para o CBT nos e-mails O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. e O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

Tão logo as primeiras revisões evoluam para Consulta Pública, o CBT divulgará os procedimentos para acessar os materiais.

Crédito da imagem: muratart/iStock.com.

Crédito da imagem: LorenzoT81/iStock.com.A Associação Boliviana de Túneis e Obras Subterrâneas (ABOTUNEL), membro da Associação Internacional de Túneis e do Espaço Subterrâneo (ITA), convida especialistas e interessados em túneis e obras subterrâneas a submeter resumos para apresentar no 2º Congresso Internacional de Túneis, que acontece em Cochabamba, na Bolívia, nos dias 27 e 28 de outubro.

Os autores Interessados devem submeter seus trabalhos até o dia 31 de julho pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.. Os resumos devem ter no máximo 400 palavras. Os autores que tiverem os trabalhos aceitos serão informados até o dia 15 de agosto. Os documentos necessários e as apresentações devem ser submetidos até 20 de outubro.

O presidente da ITA e ex- presidente do Comitê Brasileiro de Túneis, Tarcísio B. Celestino, é um dos convidados do Congresso e vai proferir duas palestras.

Crédito da imagem: LorenzoT81/iStock.com.