Técnica de monitoramento de obras de túneis a partir do espaço é apresentada em SP

O monitoramento de obras de túneis por meio de satélites já é uma realidade em países da Europa e alguns da América Latina. Para apresentar essa nova tecnologia, o CBT Young Members (Grupo de Jovens Tuneleiros do CBT) realizou palestra no dia 23 de maio deste ano, em São Paulo, ministrada por representantes das empresas IDS Brasil e TRE Altamira. A técnica InSar consiste em auxiliar o acompanhamento das obras subterrâneas pela superfície a partir de imagens por satélites-radar. Veja mais detalhes. Na foto à esquerda, Carolina de Athayde (IDS Brasil), Javier García Robles (TRE Altamira), Alex Nowak (vice-presidente CBT-YM) e Fernando Carvalho de Abreu (presidente CBT-YM).

A palestra “Monitoramento de obras de túneis a partir do espaço” foi apresentada pela geóloga Carolina de Athayde, da IDS Brasil, e pelo engenheiro de telecomunicações Javier García Robles, da TRE Altamira. 

“A técnica InSar consiste em fornecer imagens capturadas por satélites-radar para extrair informações do deslocamento na superfície”, explicou a geóloga. “Com a InSar, é possível detectar, por exemplo, deformações do solo ao redor de 30km partindo de uma obra de túnel, monitorando a superfície de forma a acompanhar qualquer impacto que a obra possa causar. Os relatórios gerados pela ferramenta mostram quais áreas estão estáveis e aquelas que merecem um acompanhamento mais crítico com precisão milimétrica”.

A tecnologia, bastante utilizada na Europa e em países da América Latina, ainda não foi aplicada no Brasil. 

“Há um grande potencial de aplicação dessa tecnologia no país, visto que ela possibilita a extração de informações para amplas áreas e não necessita de instrumentação de campo”, diz. 

“Além disso, a aplicação dessa técnica propicia não só a diminuição de custos no monitoramento das obras, mas também aumenta a segurança, já que pode ser aplicada no projeto – para um levantamento histórico e preliminar da área –, na execução e na fase de manutenção da obra”. 

Ainda que inovadora no país, Carolina de Athayde afirma que a técnica não substitui as demais existentes. “O que a InSar fornece são informações de amplas áreas, mas que não são geradas em tempo real. Por conta disso, as atuais técnicas de monitoramento de campo permanecem importantes, mas com essa tecnologia os resultados são mais completos e auxiliam a embasar com mais segurança as tomadas de decisão”, esclarece. 

Disponibilizando conhecimento

A iniciativa do CBT Young Members ao trazer a palestra partiu do compromisso de apresentar novos conhecimentos à comunidade. “Toda obra de túnel exige acompanhamento intenso”, afirma o presidente do CYM, engenheiro Fernando Carvalho de Oliveira Abreu. “É uma fase da obra que pode gerar custos muito altos. Por isso, é sempre interessante conhecer novas técnicas que possam auxiliar nesse sentido”. 

E não deve parar por aí. De acordo com o vice-presidente do CBT Young Members, Alex Nowak La Flor, a ideia é levar novas palestras também para outros estados. “Já estão sendo programados encontros em Brasília e no Rio de Janeiro, por exemplo”, diz. “Esperamos com isso atrair engenheiros e estudantes de engenharia para a área de túneis, que apesar de tão importante e é tão pouco disseminada nos cursos de graduação”.

Confira aqui o álbum de fotos do evento.