Generosidade e profissionalismo de Norberto Silva são destacados por engenheiros

Morreu, em São Paulo, na última segunda-feira (27), o engenheiro civil Norberto Silva. Silva tinha 72 anos. Formado pelo Mackenzie, trabalhava na empresa Odebrecht. Teve também passagem pela empresa Servix Engenharia, especializada em pavimentação. Reconhecido na área e por colegas de profissão, o engenheiro se destacava pela sua maneira de trabalhar. “O Norberto era uma pessoa ímpar, um dos engenheiros mais completos que já vi na minha vida”, afirma o engenheiro Sérgio Luis Martins, amigo de Norberto. “Uma pessoa que, apesar de atuar em construtora, dominava muito a área de cálculo”. 

 

Mesmo tendo trabalhado em empreiteiras em boa parte da sua vida, Norberto Silva também se interessava pelos aspectos técnicos das obras. Martins comenta que durante o período em que trabalharam juntos na Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO) no projeto de que estendeu a Linha 1-Azul do Metrô de São Paulo até a estação Tucuruvi, a empresa patrocinou pesquisadores da USP no desenvolvimento de pesquisas sobre concreto projetado com fibra. E Norberto teve participação significativa nessa frente.

“Norberto foi uma pessoa que participou muito ativamente ao conduzir os trabalhos”, lembra Sérgio Martins. “Na análise de resultados e de compartilhamento, do ponto de vista técnico, ao lidar com concreto projetado e nas obras de túneis etc.”. 

O engenheiro também é lembrado pelas pessoas que ajudou. Para muitos, era conhecido como um mestre. Que não era somente firme, mas preocupado em passar seus conhecimentos para os demais. “Era um professor. Tinha uma capacidade didática muito grande, era uma pessoa muito interessada em ensinar. Apesar de exigente, era uma pessoa de coração muito bom”, completa. 

Legado além do profissional

Como pai, deixa quatro filhos. Três vieram a se tornar engenheiros. Ricardo Furia é um deles. Ele conta que Norberto sempre foi honesto, correto e trabalhador e que seu legado não se resume somente à engenharia. “Um fato que o marcou bastante foi a descoberta do autismo em um de seus filhos”, conta Furia. “Por conta disso, meu pai ajudou a fundar a Associação de Amigos do Autista (AMA) ao lado de outros pais, há mais de 30 anos. Ele tinha um coração muito grande, era muito carinhoso”.